No sitio onde saimos pela primeira vez,
No elemento que tanto adoras,
Deixei aquela que me deste
Por troca da que me tiraste,
Quais cinzas que um amor
Que nunca soubeste entender.
Não preciso de lembranças que me lembrem de ti:
Sei que no fundo do meu coração, a nossa rosa amarela estará sempre florida, à espera que um dia a queiras voltar a colher.
E isto é um fim.
Só porque não quero que se saiba, mas não consigo não o exprimir... Só porque me apetece gritar ao mundo, mesmo sabendo que "neste"mundo já ninguém vem, já ninguém lê... Mas gosto de fingir que tu virias cá ler e que saberias que quis gritar TENHO SAUDADES TUAS!!!! COMO POSSO TER SAUDADES TUAS QUANDO JÁ NÃO NOS FALAMOS À DEZ MESES E TU ME TRATASTE TÃO MAL??? Como posso ainda chorar a falta que me fazes, a ausência da tua voz ao meu ouvido durante uma chamada telefonica... Como é que a preocupação contigo me faz perder a cabeça e não conseguir consentrar-me no meu trabalho, na minha vida, como é que a suposição de que não estás bem e poderás ter chorado me trás lágrimas aos olhos? Não sei, mas fá-lo. Não sei, mas preocupo-me, importo-me, quero estar ao teu lado e ajudar-te em tudo o que puder. Quero te ver feliz, apoiar-te, fazer o possivel e atingir o impossivel (por ti conseguiria), para ti.
Fazes-me falta. Mas não te quero para nada. Apenas queria a tua presença, companhia, ideias, opiniões, conversas... mas não por não ter de mais ninguém: qualquer um ocupa o teu lugar. Mas ninguém como tu. Não quero alguém com quem conversar: quero conversar contigo. Não quero alguém que me abra novos mundos: quero que me mostres o teu mundo. Não quero alguém que caminhe ao meu lado e que me apoie quando precisar: quero-te a ti, com o teu feitio inconveniente e extremista. Não quero alguém que me acarinhe como gosto: quero que sejas tu acarinhando-me como gostas. Não me interessa outros que possam ser melhores partidos, melhores rapazes, melhores pares para mim: tu, com todos os teus defeitos e qualidades és o que me basta.
É de ti que sinto saudades como nunca, de ninguém. Foi por ti que soube que deixaria a minha vida, para me dedicar à nossa, se ela um dia tivesse existido. É o teu cheiro que ainda adoro, a tua voz que ainda reconheço, a tua presença que ainda me sossega e a falta da tua amizade que ainda me afecta toda a vida.
Porque se tu não existes nela, há um buraco aberto no polgar direito, tapado com um penso para não sangrar nem entrar poeira, mas que volta e meia algo lá toca e magoa... Um golpe de faca que sangrou, e mesmo agora parecendo cicatrizado, a ferida continua aberta... Pronta a rasgar novamente, cada vez que qualquer coisa lá tocar, por mais subtil que seja...
Por incrível que pareça, ainda tenho saudades tuas... Já passaram 8 meses...
Noto como este blog passou a ser teu: Só aqui venho escrever de ti, sobre ti, para ti, mesmo sabendo que nunca o vais ler. Não o criei para isto, era para pensamentos, mas tu tornaste-te o meu único pensamento durante os quase dois anos em que convivemos e o blog tornou-se nisto. Mas um espaço de lamúrias e desabafos, num poço sem resposta, como tantos outros que por aí se encontram. O meu blog não devia ser isto, mas foi nisto que se tornou. Marcaste-o, tal como marcas-te a minha vida. E como há coisas que não fazem sentido se fossem de outro modo, também nem penso em começar outro noutro lugar. Este é meu. Talvez um dia, quem sabe, ele se livre da tua sombra, e possa escrever aqui sobre a minha faculdade e o meu novo amor?
Outro amor, qualquer, algo que me faça esquecer de ti. Oito meses sem nos falarmos era tempo suficiente para me esquecer de um amigo que tive. Mas entre nós, para o que significavas para mim... Oito meses são como duas semanas... Custa, mas passam. E cá vou existindo sem ti. Com o buraco que me provoca a tua ausência (onde é que já li isto?), com a vontade de seguir em frente, sempre com atenção atrás, numa espera quase sem esperança que voltes a chamar. Relembrando, ao ler o livro que leio agora e que podia ser o inicio da nossa história (um grupo confuso, cheio de segredos, dois amigos envolvem-se sem querer que os outros saibam, ela adora chocolates e artes visuais e não quer relacionamentos, mas abre uma excepção para ele, o melhor amigo, o mulherengo, detestado por todas as suas melhores amigas pelo sofrimento que ele já lhe trouxe, mas que nem assim a faz o odiar...), relembrando como dizias aos outros, em frente aos outros "A minha Catarina" e eu replicava "Tua?? Deves estar a sonhar...", sentindo falta dos nossos cafés a sós, das nossas conversas ao telefone...
Queria te apoiar nesta nova fase, dizer-te o quão feliz fiquei por ti, o quanto desejo que tudo corra bem, o quanto gostaria de estar ao teu lado para te indicar o caminho que fiz sozinha à dois anos atrás e que se não fosse o teu incentivo "É o teu sonho não é? Então tenta." provavelmente nunca o teria trilhado. E estou tão feliz por o ter feito, custa saber que nunca te vou poder agradecer por me teres incentivado, distraído nas horas de maior stress inicial, aconselhado quando as coisas começaram a complicar (ainda me lembro que a ideia para o meu trabalho favorito "Perfeição" surgiu de uma conversa contigo e com o teu melhor amigo, quando vínhamos no carro do Buddha Eden, depois de uma discussão e antes de uma brincadeira que acabou connosco no chão em frente à janela do café do costume... Porque nós sempre fomos assim "Tão depressa estamos aos abraços como aos beijos"...), não te vou poder pedir para rasgares a minha capa (nem tão pouco cravar-te um emblema), para vires à minha Queima das Fitas, à minha Semana Académica, que tanto te ofendeu pensar que eu poderia ter ido sem ti, que nunca me vais ver trajada sequer e eu nunca vou ver o brilho nos teus olhos quando me visses com aquela roupa que tanto adoras...
A saudade não mata mas mói, e embora digam que eu pareço normal no dia-a-dia e que ajo normalmente quando as nossas vidas irritantemente teimam em se cruzar (irritantemente, sim, porque assim não te consigo atirar definitivamente para um cantinho da memória... Quando o estou a fazer, lá vens tu na esquina...), eu NÃO estou normal. Falta-me uma parte, um pedaço do (que expressão horrível e lamecha, blargh, mas é a única que descreve) coração, falta-me uma parte boa, óptima, da minha vida, uma parte crucial à minha felicidade. Não falharei por muito se te disser, menino, que nunca mais fui 100% feliz desde o dia que deixamos de falar. Bom, nem antes... Desde o dia em que começamos a discutir sem a parte do beijo. E é aqui que paro para pensar, se já me fazias "mal", porque é que sinto a tua falta?? Por todos os outros 17 meses ou mais, em que me fizeste bem. E porque toda a felicidade que deste estando na minha vida foi melhor do que a tristeza de brigarmos (onde havia a esperança de os reconciliarmos). O bem que me fazia a tua voz, o teu riso, o teu olhar, a tua perspectiva das coisas, as nossas brincadeiras, a tua iniciativa, a tal "loucura" que não encontrei ainda em mais ninguém, e da qual eu preciso para me libertar... Preciso de alguém criança e imprudente como eu XD Fora de brincadeiras... Quando, por tal capricho da vida, vais parar ao sitio onde estou (curiosamente é sempre assim, nunca o contrário... Why?...) eu continuo a NÃO estar normal: Está ali, a peça que me falta, mas foi detriorada, não encaixa como antigamente... Aprendi bem demais a viver sem a tua existência mas com a tua memória, agora não consigo suportar a tua presença. Ou talvez seja mais correcto afirmar que o que não aguento é o facto de estares ali e eu não te poder falar. De não poder olhar para ti, sorrir e dirigir-me a ti, tu dares uma piada, trocarmos dois beijos na cara (nunca esquecerei que eu odiava cumprimentar toda a gente... excepto tu e a Sissy, minha amiga de infância) e eu perguntar-te como estão a correr as coisa e tu responderes, e eu aconselhar algo, tu dizeres que não, mas no fim até talvez viesses a seguir a minha ideia, mas dizendo que não era bem como eu tinha dito.
Tens um feitiozinho tramado... E eu gostava dele. De tudo em ti, de apenas a tua presença ao teu irascível orgulho (outros chamar-te-iam arrogante... Mas pior sou eu que nego a ver-te com tão maus olhos) não há nada que eu não sinta a falta.
E aqui ao meu lado, a luzinha do meu telemóvel pisca. Lembra-ma a crise de ciúmes que tive provocada pela minha ignorância e falta de confiança. A luzinha do telemóvel (não, não é uma mensagem tua, essa é uma esperança que já só existe nos confins dos meus sonhos em que o meu mundo dava um filme perfeito...) pisca para me lembrar que se estamos assim, boa parte da culpa é minha. Que esta dor que tenho e o sofrimento que te levei, mesmo tendo jurado que nunca o faria, são consequência dos meus erros.
Longe da vista, longe do coração. Geralmente é assim, exepto nos momentos em que temo te ver. No entanto, à tanto que isso que não acontece, que já te tornaste quase totalmente uma memória do passado.
Ainda assim, ver-te numa data que era nossa, num local que me trás memórias nossas e de algo magnifico que combinamos naquele dia, e um ano depois no mesmo local, na mesma data, no mesmo evento... Psicológicamente tão longe de mim, fisicamente tão perto, rindo daquela forma linda como só tu ris quando estás feliz, com uma amiga (uma gaja qualquer) ao teu lado, sabendo eu que faz o teu estilo, não é dificil de imaginar nem de acreditar que ela seguirá para onde eu fui à um ano atrás, passará a noite contigo... Quiçá no dia seguinte também a vás pôr a casa, parando pelo caminho para lhe pagar o pequeno-almoço ás dez e meia da manhã e ela te mostre uma cicatriz no joelho direito que fez na vez anterior que tiveram juntos... Uma cicatriz que na altura exibe com orgulho, uma prova discreta mas real do que aconteceu... E um ano depois essa cicatriz seja o reflexo da ferida que sara lentamente no coração, mas que abre ocasionalmente, quando te vê tão perto, tão longe, num dia que foi nosso, ao lado de outro alguém, saber que te perdi e que a culpa não foi de ninguém...
Magoa.